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Belo Horizonte - MG
Claudio Mendes da Silva Formado em historia, fotografo e ilustrador, tomei conhecimento da arte sumi-ê, me encantando por esse estilo de pintura. Tenho me dedicado as essas três paixões em minha vida. O sumi-ê é considerado uma arte espiritual e lida com a percepção da essência de tudo que o artista tem a sua volta. Objetos, paisagens, animais e pessoas. Dentro do zen-budismo, através da autodisciplina os monges buscam incorporar sua visão e filosofia de vida nessa forma de arte. Sendo assim, a conquista dessa essência é de fundamental importância e não somente sua aparência externa. Essa arte lida com as emoções e sentimentos do artista ou pintor. Tendo toda influência no resultado final da obra concebida. Cada pintura será diferente, pois as emoções envolvidas em cada traço naturalmente não serão iguais. Dentro desse contexto cada obra é única. Mesmo porque, sentimentos como raiva, ódio e alegria por mais que se repitam nunca se estabelecem com a mesma força e ou intensidade. Assim sendo, o sumi-ê pode ser considerado um retrato momentâneo da alma de quem se aventura pelos veios dessa arte temperamental. O Sumi-ê é uma jornada e uma experiência enriquecedora de autoconhecimento e descoberta espiritual. E ao mesmo tempo vai além dos limites da percepção do mundo a sua volta e da alma humana. A tinta percorre o papel enquanto a mente descobre que dentro do Sumi-ê a simplicidade e intuição são características marcantes. Lembrando novamente que praticamente se elimina a necessidade de se pensar sobre o que está sendo feito. O artista segue apenas a sua inspiração dentro de uma aura de simplicidade trilhando por um universo onde menos significa mais. Entre contraste de tons claros e escuros, quase em um transe ou estado de semi-reflexão. Gerando traços rápidos e precisos, revelando a arte do essencial. A pintura sumi-ê é considerada uma arte espiritual. Originou-se na china na dinastia Sung (960-1274). Tem raízes na caligrafia chinesa. Usa traços e pinceladas da escrita para compor as pinturas. Levada ao Japão por monges budistas no século XIV. Quando entrei em contato com essa forma de arte senti me caminhando sem sair do lugar. Ao mesmo tempo em que algumas pessoas me disseram experimentar uma sensação de fuga mental, somente por contemplar algumas imagens de praticantes dessa arte. Espero que aqueles que se aventurarem por essas páginas aproveitem cada traço no papel como se fosse uma trilha ser percorrida de maneira intima e particular.
